Exercícios de Interpretação de texto


As questões abaixo não foram criadas por mim, Julie F. de Pádua Romão,  foram retiradas do simulado ENEM 2009  do site http://www.curso-objetivo.br

Questão 01

Durante o tratamento com Cloridrato de Benzidamina drágeas e solução oral (gotas), as pessoas mais sensíveis à benzidamina podem apresentar, ainda que raramente, ansiedade, insônia, agitação, convulsões e alterações visuais. Podem ocorrer também náusea e sensação de queimação retroesternal. Informe imediatamente o seu médico caso ocorram reações adversas desagradáveis com o uso do produto.

Assinale a alternativa correta.

a) “Reações adversas” é a designação geral do conjunto dos efeitos produzidos pela ingestão do medicamento. 
b) Afirma-se que as pessoas que ingerem cloridrato de benzidamina irão sofrer de “náusea e sensação de queimação retroesternal”.
c) O remédio é indicado para pessoas que sofrem de casos raros de “ansiedade, insônia, agitação, convulsões”.
d) O trecho “drágeas e solução oral”, embora claramente compreensível, não está sintaticamente relacionado com o resto da frase.
e) A última oração indica que o médico deve ser imediatamente alertado caso o produto não seja agradável ao paciente.

RESPOSTA
A deficiência poderia ser corrigida, por exemplo, se o trecho fosse redigido da seguinte maneira: “em drágeas ou solução oral”.
Resposta: D

Questão 02

As últimas pessoas a ver Ossip Mandelstam, o poeta russo que morre num campo de concentração na época de Stálin, lembram-se dele diante de uma fogueira, na Sibéria, em meio à desolação, rodeado por um grupo de prisioneiros a quem fala de Virgílio*. Evoca a leitura de Virgílio, e essa é a última imagem do poeta. A cena re força a ideia de que há alguma coisa que deve ser preservada, alguma coisa que a leitura acumulou como experiência social. Não se trataria de exibição de cultura, mas, ao contrário, de cultura como resto, como ruína, como exemplo extremo do desprovimento. (...) A leitura se opõe a um mundo hostil, como os restos ou lembranças de outra vida.

(Ricardo Piglia. O último leitor. São Paulo: Cia. das Letras, 2006.)
* Virgílio: poeta latino, viveu em Roma no século I a.C. É um dos maiores clássicos da literatura ocidental.

No texto anterior, a leitura é considerada como uma forma de

a) enriquecimento cultural.
b) enriquecimento pessoal.
c) solidariedade entre os homens.
d) resistência à opressão.
e) afirmação de superioridade.

RESPOSTA
Ao apresentar o grande poeta russo Mandelstam evocando a leitura de Virgílio para seus companheiros no campo de concentração estalinista, o autor afirma que “não se trataria de exibição de cultura” e considera que “a leitura se opõe a um mundo hostil”, pois, naquele caso, funcionava como oposição, como resistência à opressão extrema que vitimava aqueles homens.
Resposta: D

Questão 03

E as palavras que denominam as menores frações de tempo? “Momento” vem do latim momentum, “movimento”, e refere-se ao balanço do pêndulo dos relógios. Tanto que a física chama esse movimento pendular de “momento angular”. Cada ida ou vinda do pêndulo é um “momento”. Ou seja, um “momento” não era, na sua origem, o mes mo que um tempo infinitesimal, mas uma duração suficiente para que algo se movesse de forma perceptível aos olhos. Já “instante” (do latim instans) significa “insistente, que perdura”. Não é paradoxal que o instante seja justamente o intervalo de tempo mais fugaz que existe?

(Aldo Bizzocchi. O instante do momento. Revista Língua, n. 15, jan. 2007.)

De acordo com o texto, pode-se inferir que as palavras

a) têm seu sentido subvertido na Física.
b) podem mudar de significado no decorrer do tempo.
c) são usadas de forma errada em algumas ciências.
d) em latim eram mais precisas do que em português.
e) não são eficientes na definição de tempo.

RESPOSTA
Ao relatar que momento e instante tiveram seus sentidos alterados na evolução do latim para o português atual, o autor do texto dá a entender que a transformação do sentido das palavras é um fenômeno natural na evolução da língua.
Resposta: B

QUESTÃO 4

A parte da senzala que era habitada pelas negras solteiras, logo que o sol iluminou as grades das janelas que davam para o vale, tornou-se movimentada. Mulheres de chimangos quase brancos, os braços muito pretos de fora, falavam em voz baixa e gesticulavam nervosamente. Algumas delas mais velhas diziam palavras africanas na excitação em que estavam e não se compreendiam porque eram de diversas nações e haviam sido escolhidas já de propósito assim, para que não formassem grupos à parte, com a linguagem secreta de uma só algaravia.
(Cornélio Pena, A Menina Morta)

Sobre o texto, leia os itens seguintes.

I. As escravas dispunham de um código comum de palavras africanas.
II. Fora intencional o agrupamento de escravas provenientes de nações diversas.
III. A falta de uma língua comum dificultava as relações que mantinham com a administração.

Está correto o que se afirma em

a) I e II, somente.
b) I e III, somente.
c) II, somente.
 d) II e III, somente.
e) todos os itens.

RESPOSTA
A afirmação contida no item II pode ser confirmada no trecho: “eram de diversas nações e haviam sido escolhidas já de propósito assim”. O que se afirma no item I é contraditório em relação ao que se afirma em II, e o item III está incorreto porque não se menciona no texto a dificuldade no relacionamento entre as escravas e a administração.
Resposta: C

QUESTÃO 05
No texto anterior, algaravia

I. é o mesmo que um código não verbal no caso de povos iletrados.
II. designa uma língua estranha aos membros de outro grupo.
III. é a mistura de palavras africanas com palavras da língua portuguesa.

Está correto o que se afirma em

a) I e II, somente. b) I e III, somente.
c) II, somente. d) II e III, somente.
e) todos os itens.

RESPOSTA
No texto, algaravia diz respeito a uma linguagem secreta pertencente a um grupo. Com essa linguagem secreta, os membros desse grupo poderiam de fato comunicar-se, o que era intencionalmente evitado pelos senhores.
Resposta: C

QUESTÃO 06
Uns, com os olhos postos no passado,
Veem o que não veem; outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, veem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto –
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto sorvo, aspiração
Em que vivemos, morreremos. Colhe (de ar)
O dia, porque és ele.

(Ricardo Reis)

Sobre os versos acima, não se pode dizer:

a) Diante da fugacidade do tempo, a exortação a aproveitar o presente propõe nossa identificação com ele.
b) Criticam tanto aqueles que se prendem ao passado como aqueles que fixam seus olhos no futuro.
c) Exprimem consciência da brevidade da vida e da inevitabilidade da morte, daí a valorização do momento presente.
d) “Interminável hora” é metáfora de morte, justificativa para o aproveitamento do momento presente.
e) “Colhe o dia” é a tradução de uma das expressões mais célebres da poesia lírica: carpe diem, do poeta latino Horácio.

RESPOSTA
“Interminável hora” é metáfora do tempo que flui constantemente, mostrando-nos a nossa própria insignificância.
Resposta: D

QUESTÃO 7

A ficção é compensação e consolo pelas muitas limitações e frustrações que fazem parte de todo destino individual e fonte perpétua de insatisfação, pois nada mostra de forma tão clara o quão minguada e in consistente é a vida real quanto tornar a ela, depois de haver vivido, nem que seja de modo fugaz, a outra vida...
(Mário Vargas Llosa)

O termo ficção, no texto, só pode ser diretamente associado a uma das seguintes expressões. Assinale-a.

a) “minguada e inconsistente”
b) “limitações e frustrações”
c) “destino individual”
d) “vida real”
e) “a outra vida”

RESPOSTA
No contexto, “a outra vida” refere-se à vida representada na ficção, por oposição à “vida real”. As demais alternativas contêm expressões que se associam não à ficção, mas à vida real.
Resposta: E

QUESTÃO 08

Na prática política, a palavra negociação associa-se ora ao requisito clássico da democracia, que é a busca do “acordo entre partes”, ora ao fundamento mercantilista dos “negócios”, ou mesmo das “negociatas”. Vários políticos valem-se dessa duplicidade de significados: sendo, de fato, espertos negociantes, justificam-se como hábeis negociadores.

Considere as seguintes afirmações sobre o texto acima.

I. O tema explorado é o do duplo sentido que a palavra negociação ganha no âmbito da prática política.
II. A tese defendida é a de que a acepção mercantilista da palavra negociação pode ser maliciosamente encoberta pela acepção democrática.
III. O tema é a prática da má política, e a tese é a de que as palavras deixam de ter sentido por causa dessa prática.

Está correto o que se afirma em
a) II, apenas.
b) I e II, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.

RESPOSTA
O item I está correto, pois o duplo sentido da palavra negociação confirma-se no texto, por referir-se tanto a “requisito clássico da democracia” quanto a “fundamento mercantilista”. O item II também está correto, pois a palavra negociação, conforme o texto, é empregada por políticos de forma ardilosa, com a acepção “democrática” disfarçando a acepção “mercantilista”. O item III está errado, pois o texto se refere à exploração da duplicidade de sentidos de uma palavra, não à perda de sentido.
Resposta: B

QUESTÃO 9

A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada
(Manuel Bandeira)

Assinale a afirmação que descreve adequadamente a atitude presente nos versos de Bandeira.

a) “A língua é a nacionalidade do pensamento como a pátria é a nacionalidade do povo. Da mesma forma que instituições justas e racionais revelam um povo grande e livre, uma língua pura, nobre e rica, anuncia a raça inteligente e ilustrada.” (José de Alencar)

b) “O Movimento de 1922 não nos deu – nem nos podia dar – uma ‘língua brasileira’, ele incitou nossos escritores a concederem primazia absoluta aos temas essencialmente brasileiros [...] e a preferirem sempre palavras e construções vivas do português do Brasil a outras, mortas e frias, armazenadas nos dicionários e nos compêndios gramaticais.” (Celso Cunha)

c) “Língua é vida. Faz parte de toda a gama de nossos comportamentos sociais, como comer, morar, vestir-se etc. Não é uma realidade à parte, algo que se esquece tão logo se saia da sala de aula, das provas, dos
concursos.” (Celso Pedro Luft)

d) “A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa do superficialismo. Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase.” (Clarice Lispector)

e) “A influência popular tem um limite; e o escritor não está obrigado a receber e dar curso a tudo o que o abu so, o capricho e a moda inventam e fazem correr. Pelo contrário, ele exerce também uma grande parte da influência a este respeito, depurando a linguagem do
povo e aperfeiçoando-lhe a razão.” (Machado de Assis)

RESPOSTA
Os versos de Manuel Bandeira valorizam o uso coloquial do português do Brasil, e é sobre essa tendência modernista que fala Celso Cunha na alternativa b.
Resposta: B

QUESTÃO 10

Na oração católica Salve Rainha, os devotos se dirigem à Virgem Maria em termos que exprimem uma concepção cristã do mundo e da vida humana: “A vós suspiramos, gemendo e chorando, neste vale de lágrimas.” Entre os trechos poéticos seguintes, de autores românticos, aponte aquele que, em sua visão da existência, mais se aproxima daquela concepção cristã.

a) Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar. (Gonçalves Dias)

b) Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto o poento caminheiro. (Álvares de Azevedo)

c) A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;
A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai! (João de Deus)

d) Quem passou pela vida em brancas nuvens
E em plácido repouso adormeceu,
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu. (Francisco Otaviano)

e) Morrer... quando este mundo é um paraíso,
E a alma um cisne de douradas plumas:
Não! o seio da amante é um lago virgem...
Quero boiar à tona das espumas.
Vem! formosa mulher – camélia pálida
Que banharam de pranto as alvoradas. (Castro Alves)

RESPOSTA
No trecho de Salve Rainha, este mundo é visto como um “vale de lágrimas”; a vida, portanto, é concebida como sofrimento. A mesma concepção se exprime nos versos de Francisco Otaviano: viver = sofrer, não sofrer = não viver. Nos outros fragmentos transcritos, a vida é vista como luta (a), tédio (b) e inconsistência (c) e o mundo é concebido como um “paraíso” de beleza feminina e prazer erótico (e).
Resposta: D

QUESTÃO 11

Texto I
Em entrevista, a modelo Luma de Oliveira, comentando o prazer que tem em se dedicar à sua casa e à família, disse: “Sou a Amélia do ano 2000.”

Texto II
Ai, meu Deus, que saudade da Amélia
Aquilo, sim, é que era mulher.
Às vezes, passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
E quando me via contrariado
Dizia: meu filho, que se há de fazer?
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade.
(Canção de Ataulfo Alves e Mário Lago, Ai, que Saudade da Amélia)

Observe as seguintes afirmações sobre os textos apresentados.

I. Sem o conhecimento da personagem da música popular, em nada fica prejudicado o entendimento da frase dita pela modelo.
II. Na canção, o “é que” destacado denota ideia de exclusão: nenhuma mulher é “mulher de verdade”, só Amélia.
III. Se a modelo, contrariamente ao que disse, estivesse se referindo ao peso das atividades cotidianas da mulher, a referência a Amélia adquiriria sentido pejorativo.

Está correto o que se afirma apenas em
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) II e III.

RESPOSTA
O item I está incorreto porque a frase da modelo supõe referência à personagem celebrizada na canção, uma mulher submissa e dedicada ao lar. No item II, a expressão expletiva “é que” denota exclusão. O item III está correto, pois, se se tratasse de reclamação de uma mulher a respeito do peso dos trabalhos domésticos, a referência a Amélia ganharia sentido pejorativo.
Resposta: E

QUESTÃO 12

Vejo livros e artigos sobre o que é escrever bem. Nada contra; mas no máximo o que se passa são dicas, observações técnicas. Mais útil é mostrar o que é escrever mal. Pego o novo livro de Rubem Fonseca, Mandrake – a Bíblia e a Bengala (Companhia das Letras), e nas primeiras 20 páginas já me sinto dentro de um filme policial de terceira classe, ou de um seriado de TV, com o mesmo destrato à língua: “Para um advogado às vezes é melhor o cliente começar pelo fim, eu disse, e ela lançou-me um olhar arguto, como se procurasse algum significado oculto por trás das minhas palavras.” Primeiro: o adequado seria “ela me lançou”, porque o pronome pessoal atrai a preposição, além de ser a forma coloquial no Brasil. Segundo: se ela procurava significado por trás das palavras, era certamente porque estava oculto. Terceiro, mais importante: um olhar em busca de um significado não é arguto, mas inquiridor, curioso ou, melhor ainda, investigativo. Como dizia Monteiro Lobato, o adjetivo certo para um substantivo é como a porca no parafuso.
(Daniel Piza)

Considere as seguintes proposições:

I. Em “o adequado seria ʻela me lançouʼ ”, o autor refere-se a um “erro” que não ocorre, pois o pronome pes soal (ela) não “atrai” o pronome oblíquo átono (me, que o autor do texto, em outro equívoco, considerou “preposição”).
II. Em “o adjetivo certo para um substantivo é como a porca no parafuso”, como expressa a mesma ideia de conformidade que em “como se procurasse algum significado oculto”.
III. Para o autor, a oração “como se procurasse algum significado oculto por trás das minhas palavras” tem o defeito da ambiguidade.

Está correto o que se afirma em

a) I, apenas.
b) I e II, apenas.
c) II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) todas as proposições.

RESPOSTA
Em II, como não expressa conformidade, mas comparação; em III, a construção, para o autor, nnão é ambígua, mas pleonástica, redundante.
Resposta: A

QUESTÃO 13

Considere as seguintes afirmações sobre o texto anterior

I. O autor aponta três problemas no texto, sendo o primeiro referente a normas de sintaxe e os dois outros, à qualidade da redação.
II. O segundo problema apontado tem relação com o sentido, não com a forma do texto, pois o defeito consistiria em redundância.
III. O terceiro problema apontado diz respeito à propriedade e precisão no emprego das palavras.

Está correto o que se afirma em

a) I, apenas.
b) I e II, apenas.
c) II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) todas as proposições.

RESPOSTA
O primeiro defeito apontado é um falso erro de sintaxe de colocação; o segundo e o terceiro envolvem problemas semânticos, isto é, referentes ao sentido do texto: redundância e imprecisão.
Resposta: E

QUESTÃO 14

Cuidado com a ideia falsa amplamente disseminada de que a corrupção é o óleo que lubrifica a engrenagem da economia e dos negócios públicos. Não é. A corrupção é um ácido que corrói não apenas a engrenagem da vida governamental, mas também os valores éticos, morais e até os sonhos de um povo. (Denise Frossard)

Considere as seguintes proposições sobre o texto:

I. A palavra disseminada significa “adulterada”.
II. A palavra corrupção é associada a duas metáforas: “óleo que lubrifica” e “ácido que corrói”.
III. A locução conjuntiva não apenas... mas também exprime adição enfática e promove o paralelismo sintático entre as orações.
IV. A palavra até, em “os valores éticos, morais e até os sonhos de um povo”, poderia ser substituída por inclusive ou mesmo, sem alteração do sentido do trecho.

Estão corretas as afirmações

a) I e II, apenas.
b) II e III, apenas.
c) I, II e III, apenas.
 d) II, III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

RESPOSTA
O sentido de disseminar é “espalhar”.
Resposta: D

QUESTÃO 15

A evolução da sociedade nas últimas décadas tem sido tão vertiginosa em todos os setores, que se torna [...] um desafio acompanhá-la [...]. Mas não acompanhar esse ritmo significa ficar de fora, desconhecer as informações mais recentes. Isso provoca uma corrida ansiosa em direção a tudo o que é novo, tudo que evolui, tudo que muda. [...] A língua, espelho da cultura, reflete essa busca frenética de novidade, evoluindo rapidamente, introduzindo novos termos, logo aceitos. [...] São eles os neologismos, termo que significa nova palavra [...] Estão os neologismos ligados a todas as inovações nos diversos ramos de atividade humana, seja na arte, técnica, ciência, política ou economia. [...]

Surgem ainda palavras como resultado de uma necessidade de expressão pessoal: são os neologismos cria dos pelos poetas, escritores, cronistas e humoristas. [...] À medida que a cultura se desenvolve, o vocabulário evolui, incorpora novos termos e joga fora outros correspondentes [...]. Os vocábulos que os designavam perdem sua razão de ser, se arcaízam. Arcaísmo vem do grego arkaikós, fora de uso, arcaico.
(Nelly Carvalho, O que é o Neologismo
Considere as seguintes afirmações:

I. Os neologismos nem sempre estão relacionados a modificações do mundo exterior.
II. O interesse pelas inovações motiva a rápida compreensão dos neologismos.
III. As principais fontes de origem de novas palavras, na atualidade, são a ciência e a tecnologia.

Está correto apenas o que se afirma em

a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) II e III.

RESPOSTA
A afirmação II está errada porque o texto apenas menciona a “aceitação” do neologismo, e não a sua “compreensão”. O erro da afirmação III está no uso do termo principais, já que o texto não destaca a ciência e a tecnologia como fontes principais de neologismos.
Resposta: A

QUESTÃO 16
De acordo com o texto anterior, pode-se concluir que

a) os neologismos criados pelos literatos, por não atenderem às necessidades da vida prática, deixam de ser incorporados ao vocabulário dos demais falantes.
b) os arcaísmos decorrem do desinteresse em utilizar palavras eruditas que apresentem correspondentes na linguagem informal.
c) o ritmo acelerado das mudanças causa ansiedade naqueles que se veem incapazes de assimilar as inovações.
d) o dinamismo cultural é responsável pelo uso de novas palavras e, ao mesmo tempo, pelo abandono de outras.
e) as transformações sofridas pela linguagem sempre refletem os avanços tecnológicos.

RESPOSTA
A resposta a esse teste encontra-se no último parágrafo do texto: “À medida que a cultura se desenvolve, o vocabulário evolui, incorpora novos termos e joga fora outros cor respondentes [...].”
Resposta: D

QUESTÃO 17

Com base no texto anterior, só não é possível associar a neologismo a palavra

a) criação.
b) surgimento.
c) incompreensão.
d) mudança.
e) incorporação.

RESPOSTA
Nada se fala no texto a respeito da compreensão ou incompreensão dos neologismos; afirma-se apenas que eles são “logo aceitos” – o que não quer dizer que sejam compreendidos nem, muito menos, incompreendidos.
Resposta: C

QUESTÃO 18

Há uma diferença fundamental entre as [torcidas] organizadas brasileiras e os hooligans ingleses. Ninguém na Inglaterra assume que é hooligan. Os caras são anônimos. Muitas vezes, a polícia se surpreende ao localizar o sujeito que barbarizou num estádio e descobrir que ele é um calmo chefe de família. Apesar de não serem pobres e carentes como os brasileiros, os hooligans também são os pobres coitados da Inglaterra. Muitos pesquisadores tentam descobrir o que leva os hooligans a serem tão violentos. Às vezes, me parece uma vontade estúpida de buscar fortes emoções regada a muito álcool. Uma caneca de cerveja europeia tem quatro vezes mais álcool que um chope brasileiro. E os ingleses bebem muito. Então, os caras enchem a cara e
partem para a violência. Agora, no Brasil, a coisa é espantosa. Os chefes de torcida organizada têm cartão de visitas, sede, assessor de imprensa. São entrevistados no rádio e na tevê. Expulsaram os torcedores das grandes partidas e viraram personalidades. As torcidas
organizadas explodiram no Brasil a partir do final dos anos 60. Acho que isso tem alguma relação com a ditadura militar. De qualquer modo, penso que as torcidas seriam menos violentas se os dirigentes brasileiros não errassem tanto e não roubassem o clube dessa maneira.
(Alex Bellos)

O termo destacado no texto indica

a) ênfase.
b) tempo.
c) oposição.
d) condição.
e) concessão.

RESPOSTA
A palavra agora está unindo dois termos opostos de uma comparação: os hooligans, que operam na clandestinidade, e as torcidas organizadas brasileiras, que se mostram às claras em nosso meio social.
Resposta: C

QUESTÃO 19

De acordo com o texto anterior, só não se pode afirmar que

a) os hooligans, como os integrantes das torcidas organizadas, são vítimas de injustiças sociais.
b) os hooligans têm identidade clandestina, ao contrário das torcidas organizadas.
c) um hooligan pode, fora do estádio, ser um cidadão perfeitamente adaptado à sociedade.
d) a violência dos hooligans parece associada ao consumo excessivo de álcool.
e) fatores socioeconômicos podem ter relação com as ações das torcidas organizadas brasileiras.

RESPOSTA
Nada no texto permite a afirmação feita na alternativa a, como comprova o trecho “Apesar de não serem pobres e carentes como os brasileiros”.
Resposta: A

QUESTÃO 20 - TEXTO ANTERIOR

Por se tratar de um texto jornalístico, sua linguagem aproxima-se, em alguns momentos, do padrão coloquial. Isso só não ocorre em:

a) “Os caras são anônimos.”
b) “Agora, no Brasil, a coisa é espantosa.”
c) “Então, os caras enchem a cara...”
d) “Muitas vezes, a polícia se surpreende ao localizar o sujeito que barbarizou num estádio...”
e) “Os chefes de torcida organizada têm cartão de visitas, sede, assessor de imprensa.”

RESPOSTA
Em a, o coloquialismo está no emprego da expressão “os caras”; em b, no uso de “agora” em sentido adversativo e de “coisa” em sentido indefinido de “situação”, “rea li dade”; em c, no emprego de “Então”, “os caras” e “en chem a cara”; em d, na utilização de “barbarizar”, no sentido de “cometer violência”. Não há marcas de coloquialismo na
frase da alternativa e.
Resposta: E

QUESTÃO 21 - TEXTO ANTERIOR

Em “os caras enchem a cara”, a linguagem está sendo usada em seu sentido conotativo, figurado, assim como em:

a) “Os chefes de torcida organizada têm cartão de visita,...”
b) “Os caras são anônimos.”
c) “Agora, no Brasil, a coisa é espantosa.”
d) “Às vezes, me parece uma vontade estúpida de buscar fortes emoções regada a muito álcool.”
e) “E os ingleses bebem muito.”

A única alternativa que apresenta frase em que a linguagem está sendo usada no sentido figurado é a d, pois “vontade...regada a muito álcool” é expressão que não deve ser entendida em seu sentido literal.
Resposta: D

QUESTÃO 22
[...]
A criança, na visão de Pestalozzi, se desenvolve de dentro para fora — ideia oposta à concepção de que a função do ensino é preenchê-la de informação. Para o pensador suíço, um dos cuidados principais do professor deveria ser respeitar os estágios de desenvolvimento pelos quais a criança passa. Dar atenção à sua evolução, às suas aptidões e necessidades, de acordo com as diferentes idades, era, para Pestalozzi, parte de uma missão maior do educador, a de saber ler e imitar a natureza — em que o método pedagógico deveria se inspirar. [...] Tanto a defesa de uma volta à natureza quanto a construção de novos conceitos de criança, família e instrução a que Pestalozzi se dedicou devem muito a sua leitura do filósofo franco-suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), nome central do pensamento iluminista. Ambos consideravam o ser humano de seu tempo excessivamente cerceado por convenções sociais e influências do meio, distanciado de sua índole original — que seria essencialmente boa para Rousseau e potencialmente fértil, mas egoísta e submissa aos sentidos, para Pestalozzi. [...] O pensador suíço costumava comparar o ofício do professor ao do jardineiro, que devia providenciar as melhores condições externas para que as plantas seguissem seu desenvolvimento natural. Ele gostava de lembrar que a semente traz em si o “projeto” da árvore toda. Desse modo, o aprendizado seria, em grande parte, conduzido pelo próprio aluno, com base na experimentação prática e na vivência intelectual, sensorial e emocional do conhecimento. É a ideia do “aprender fazendo”, amplamente incorporada pela maioria das escolas pedagógicas posteriores a Pestalozzi. O método deveria partir do conhecimento para o novo e do concreto para o abstrato, com ênfase na ação e na percepção dos objetos, mais do que nas palavras. O que importava não era tanto o conteúdo, mas o desenvolvimento das habilidades e dos valores.
(Márcio Ferrari, Revista Escola, abril/2004)

O autor considera duas possibilidades opostas para o desenvolvimento infantil, que se evidenciam no confronto das expressões:
a) “...respeitar os estágios de desenvolvimento...” / “Dar atenção à sua evolução,...”
b) “...o aprendizado [...] conduzido pelo próprio aluno,...” / “...aprender fazendo,...”
c) “...providenciar as melhores condições externas...” / “...seguissem seu desenvolvimento natural.”
d) “...deveria partir do conhecimento para o novo...” / “...do concreto para o abstrato.”
e) “...se desenvolve de dentro para fora...” / “...preenchê-la de informação.”

RESPOSTA
Na concepção de Pestalozzi, educador suíço do século XVIII, o desenvolvimento infantil fundamenta-se na vivência intuitiva, ou seja, parte “de dentro para fora”, e não o oposto, de “fora para dentro”, conforme a ideia de que o ensino é apenas transmissão de informações: “A criança, na visão de Pestalozzi, se desenvolve de dentro para fora — ideia oposta à concepção de que a função do ensino é preenchê-la de informação.”
Resposta: E

QUESTÃO 23 - TEXTO ANTERIOR

Considere as seguintes afirmações:

I. A criança desenvolve-se por estágios sucessivos e a gradação natural de seu progresso deve ser respeitada pelo mestre.
II. Na educação, a percepção sensorial é fundamental, portanto os sentidos devem estar em contato direto com os objetos.
III. O aprendizado depende inteiramente do professor, comparável a um jardineiro, ao providenciar as condições propícias para determinar o crescimento do aluno.

Está correto apenas o que se afirma em

a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) I e III.

RESPOSTA
A afirmação III está errada porque o aprendizado não depende inteiramente do professor, tampouco é ele quem determina o crescimento do aluno. O jardineiro apenas prepara o ambiente favorável, mas “o aprendizado seria, em grande parte, conduzido pelo próprio aluno, com base na experimentação prática e na vivência intelectual, sensorial e emocional do conhecimento”.
Resposta: D

QUESTÃO 24 - TEXTO ANTERIOR

Considere as ideias de Rousseau e de Pestalozzi referidas no texto.

a) Ambos têm pensamentos opostos quanto ao ser humano de seu tempo e as convenções sociais.
b) Os dois pensadores consideravam o homem, na sociedade de seu tempo, próximo de sua índole original.
c) Para Rousseau, a índole original do indivíduo seria essencialmente egoísta e submissa aos sentidos.
d) Pestalozzi foi influenciado por Rousseau na construção de novos conceitos sobre instrução.
e) Um e outro concordam que as propensões naturais do ser humano estão livres das convenções sociais e das influências do meio.

RESPOSTA
A confirmação da alternativa d encontra-se no seguinte trecho: “Tanto a defesa de uma volta à natureza quanto a construção de novos conceitos de criança, família e instrução a que Pestalozzi se dedicou devem muito a sua leitura do filósofo franco-suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), nome central do pensamento iluminista.”
Resposta: D

QUESTÃO 25

Os textos para as questões de 25 a 27 são fragmentos de entrevistas concedidas pelo escritor José J. Veiga para a coleção Para Gostar de Ler e para a Folha de S.Paulo, respectivamente.

— Como começou a escrever?
— Foi um processo demorado, que amadureceu devagar. Quando resolvi experimentar escrever, não consegui da primeira vez. Escrevi uma história, não gostei, e desanimei. Eu estava descobrindo que ler é muito mais fácil do que escrever. Mas quando a gente joga a toalha, entrega os pontos num assunto que sente que é capaz de fazer, fica infeliz, e acaba voltando à luta. Voltei a tentar, apanhei, caí, levantei – até que um dia escrevi uma história que, quando li de cabeça fria, achei que não estava ruim; com uns consertos aqui e ali, ela ficaria apresentável. Consertei, e gostei do resultado. Animado, escrevi outras e outras histórias, nessa batalha per manente. Mas é uma batalha curiosa: as derrotas que a gente sofre nela não são derrotas, são lições para o futuro.
(Para Gostar de Ler)

—O senhor é muito conhecido por reescrever incessantemente seus textos. Por que o senhor reescreve?
—É por conta de uma grande insatisfação. Você imagina as coisas, até visualiza, mas, quando quer pôr aquilo no papel, tem que usar a linguagem. Aí você descobre que a linguagem é tosca. Não acompanha o que você quer fazer. Então você fica trabalhando, trabalhando, para chegar o mais próximo possível.
— Por isso a linguagem do senhor é tão seca, tão substantiva?
—É. Eu me vigio muito para não fazer aquilo que em linguagem popular se diz “encher linguiça”. Eu desbasto o texto. Tiro o bagaço para deixar apenas o que tem peso,
a essência.
 (Folha de S.Paulo)

Qual o motivo da insatisfação do escritor José J. Veiga no ato de escrever?

a) A expressão de suas ideias requer um árduo trabalho de vigilância para evitar o excesso de palavras (“encher linguiça”).
b) Sua linguagem é, predominantemente, substantiva, seca e dificulta pôr no papel aquilo que ele imaginou.
c) A linguagem parece-lhe insuficiente para transmitir tudo aquilo que se passa em sua mente.
d) Falta-lhe habilidade natural, um dom, para exprimir suas ideias com precisão.
e) Sua linguagem é tosca, falta-lhe o conhecimento do padrão culto para comunicar exatamente o que pensa.

RESPOSTA
O trecho do texto que justifica a resposta é: “Aí você descobre que a linguagem é tosca. Não acompanha o que você quer fazer.”
Resposta: C

QUESTÃO 26 - TEXTO ANTERIOR

Qual dos seguintes fragmentos se distancia da ideia transmitida nos depoimentos de José J. Veiga?

a) Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
(Carlos Drummond de Andrade)

b) (...) E de repente me emocionei: na imagem do lutador de boxe vi a imagem do escritor no corpo a corpo com a palavra.
(Lygia Fagundes Telles)
c) Antonio Bolívar Goyanes (...) teve a bondade de rever comigo os originais, numa caçada milimétrica de contrassensos, repetições, inconsequências, erros e erratas, e num escrutínio encarniçado da linguagem e da ortografia, até esgotar sete versões.
(Gabriel García Márquez)
d) (...) outro dia o céu ameaçava chuva e eu ia a caminho de casa. (...) Atirei-me para casa com o andar mais próximo do correr que pude achar (...) E neste estado de espírito encontro-me a compor um soneto – acabei-o uns passos antes de chegar ao portão (...) E o soneto é não só calmo, mas também mais ligado e conexo que algumas coisas que eu
tenho escrito.
(Fernando Pessoa)
e) Para mim, o ato de escrever é muito difícil e penoso, tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes. Basta dizer, como exemplo, que escrevi 1.100 páginas datilografadas para fazer um romance no qual
aproveitei pouco mais de 300.
(Fernando Sabino)

RESPOSTA
O texto de Fernando Pessoa, diferentemente dos outros, não se refere a dificuldades na redação do texto, mas, bem ao contrário, à facilidade com que pôde compor um soneto, mesmo em circunstâncias tão anormais ou incômodas.
Resposta: D

QUESTÃO 27 - TEXTO ANTERIOR

A leitura dos depoimentos de José J. Veiga só não permite concluir que

a) o erro na prática da produção escrita prejudica o aprimoramento do escritor.
b) escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida por meio da prática insistente de organização e reorganização de textos.
c) o trabalho de escrever é exigente, cansativo e muitas vezes insatisfatório, frustrante.
d) a linguagem é neutra e cabe ao escritor trabalhar na escolha de palavras que têm maior capacidade de significação dentro de um texto.
e) a leitura do próprio texto permite, àquele que redige, a identificação de pontos falhos.
O que se afirma na alternativa a não corresponde ao conteúdo de nenhum dos dois textos apresentados, que se referem à dificuldade de chegar a um resultado satisfatório na elaboração de um texto, não a “erro” que prejudique “o aprimoramento do escritor”.
Resposta: A

QUESTÃO 28

Textos para as questões de 28 a 30.
Texto I
BEETHOVEN
Beethoven não foi homem de inspiração instantânea. Seus cadernos de notas, em que podemos acompanhar a gênese de muitas obras suas, demonstram que raramente aproveitou uma ideia musical assim como lhe ocorrera. Os temas passam por um lento processo de elaboração até se prestarem ao “desenvolvimento”, na sonata-forma, da qual Beethoven é o maior mestre. Sua própria evolução também foi das mais vagarosas. Se tivesse morrido, como Schubert, com 31 anos de idade, seu nome não seria hoje lembrado por ninguém. Com 35 anos, idade em que Mozart encerrou sua produção abundante, Beethoven ainda não tinha criado a maior parte de suas obras-primas. O que escreveu em Bonn tem apenas interesse histórico. Ele mesmo deu à primeira obra publicada em Viena — e que não é, de longe, a primeira que escrevera — o número “opus 1”. No ano da sua morte chegou a opus 135: produção muito menos abundante que a de Bach, Händel, Haydn, Mozart, Schubert.
(Otto Maria Carpeaux, Uma Nova História da Música)

Texto II
A ópera Fidélio, que não obteve sucesso na estreia, foi revista duas vezes por Beethoven e seus libretistas, tendo êxito apenas em sua versão final, de 1814. Nela, a ênfase maior está na força moral do enredo, que trata não apenas de liberdade, justiça e heroísmo, mas também do amor matrimonial. No personagem da heroína, Leonore, pode-se ver a imagem idealizada que Beethoven tinha do sexo feminino.
(Dicionário Grove de Música)

Assinale a alternativa correta, de acordo com os textos.

a) A ópera Fidélio é um exemplo do árduo trabalho que Beethoven realizava no processo de criação de suas obras.
b) Como era um músico de pouca inspiração, Beethoven produziu poucas obras.
c) Beethoven obteve êxito apenas nas peças em que se curvou ao gosto do público.
d) Ao que parece, Viena era uma cidade que propiciava mais inspiração a Beethoven do que sua cidade natal, Bonn.
e) As aspas na expressão “opus 1” emprestam a ela um tom irônico, já que o autor do texto não vê qualidade nas primeiras obras de Beethoven.

RESPOSTA
A ópera Fidélio teve sua versão definitiva depois de várias revisões (texto II), o que comprova que Beethoven trabalhava arduamente em cima de suas obras até dar-se por satisfeito com elas (texto I).
Resposta: A

QUESTÃO 29

De acordo com o texto, podemos inferir:

a) A ópera Fidélio, nas suas versões iniciais, não obteve êxito junto ao público, porque vulgarizava o amor matrimonial e a imagem da mulher.
b) Se compararmos Beethoven a Schubert, concluiremos que este se apresentou mais fecundo no início da carreira de compositor do que aquele.
c) Os compositores barrocos (como Bach e Händel) e os compositores clássicos (como Haydn e Mozart) são mais criativos que os compositores românticos (como Beethoven).
d) As obras que sofrem um lento processo de elaboração apresentam normalmente uma qualidade mais elevada do que aquelas que surgem de uma inspiração momentânea.
e) Beethoven criou pouco, porque desenvolvia suas composições dentro dos padrões da sonata-forma, procedimento que tornava o processo criativo mais trabalhoso.

RESPOSTA
O texto afirma que, se tivesse morrido com a idade de Schubert (31 anos), Beethoven não seria hoje lembrado por ninguém; daí a inferência de que Schubert foi mais “fecundo” (capaz de muitos e bons resultados) no início de sua carreira do que Beethoven.
Resposta: B

QUESTÃO 30

Assinale a alternativa na qual o texto ilustra o processo de criação de Beethoven.

a) Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto
[expediente protocolo e manifestações de apreço
[ao senhor diretor
Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no
[dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo

b) Ó santa inspiração! Fada noturna,
Por que a fronte não beijas do poeta?
Por que não lhe descansas nos cabelos
A coroa dos sonhos, e rebentam-lhe
Entre as lívidas mãos uma por uma
As cordas do alaúde a vibrá-las?

c) Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

d) Frouxo o verso talvez, pálida a rima
Por estes meus delírios cambeteia,
Porém odeio o pó que deixa a lima
E o tedioso emendar que gela a veia!

e) Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo o que meu inconsciente me grita.

RESPOSTA
A estrofe de um conhecido soneto do poeta parnasiano Olavo Bilac apresenta o processo de criação artística como um trabalho árduo. O poeta, para criar, deve isolar-se do “estéril turbilhão da rua” e trabalhar, teimar, limar, sofrer e suar.
Resposta: C


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